Envenenamento: Uma Forma Histórica de Assassinar

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Dos cortesões da Grécia Antiga aos espiões soviéticos e talvez agora os agentes norte-coreanos, o veneno tem uma longa história como arma de assassinato, utilizado por matadores que querem atingir seu objetivo de forma furtiva.

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O assassinato de , meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un, em um aeroporto da Malásia reavivou o fascínio pelos métodos de envenenamento.

Em uma história que poderia ter sido retirada de um conto de espionagem, os chefes de inteligência da Coreia do Sul afirmam que agentes do sexo feminino enviadas por seu vizinho do norte administraram uma dose letal de veneno no norte-coreano, enquanto relatos dos meios de comunicação sugerem que uma toxina foi pulverizada em seu rosto.

Um possível envenenador pode escolher entre um catálogo de substâncias químicas letais, algumas das quais são relativamente fáceis de ser obtidas.

A ricina – produzida naturalmente em sementes de mamona – e o tálio (veneno de rato) são famosos por suas propriedades assassinas.

O arsênico produz uma morte lenta e dolorosa, enquanto a estricnina causa espasmos extremos no corpo à medida que o sistema respiratório da vítima entra em colapso.

“Mas o cianeto é o que mata mais rápido e é o mais fácil de ser detectado, sua patologia aparece em todo o corpo”, disse Porntip Rojanasunan, uma perita forense e conselheira do Ministério da Justiça da Tailândia.

Segundo ela, o “sangue vermelho brilhante” da vítima no exame pós-mortem é o sinal que revela um potencial envenenamento por cianeto.

Outros produtos químicos, como o potássio, podem causar “uma arritmia cardíaca extrema… e podem levar a um ataque cardíaco muito rapidamente”, explicou.

Os venenos de ação lenta podem permitir que os assassinos escapem da cena do crime sem serem detectados.

Mas os compostos químicos não são fáceis de armazenar ou manusear e muitos produzem um resíduo, cheiro ou cor que os torna difíceis de ser escondidos, acrescentou Porntip.

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— Maçãs, guarda-chuva e vinho —

Histórias de envenenamentos – reais ou imaginárias – formaram sua própria mitologia.

O envenenamento se tornou a resposta para intrigas nos bastidores envolvendo rivais políticos, ações de vingança e assassinatos a sangue frio.

Shakespeare utilizou muito o tema, com uma propensão para finais com envenenamentos de seus personagens, enquanto o sono profundo da Branca de Neve após comer uma maçã envenenada se tornou um conto de alerta para a inveja.

Na vida real, os acadêmicos ainda debatem se Cleópatra foi morta por arsênico ou por uma serpente, se Alexandre, O Grande foi realmente assassinado por um vinho tóxico e se um papel de parede repleto de uma substância venenosa foi o causador da morte de Napoleão.

As donas de casa sofridas da Grã-Bretanha na era vitoriana ganharam notoriedade ao colocar arsênico na comida ou bebida de seus maridos violentos.

Mais recentemente, o veneno ocupou um lugar proeminente na tradição da era soviética.

Em 1978, o dissidente búlgaro Georgy Markov morreu depois de receber uma dose fatal de ricina lançada pela ponta de um guarda-chuva em uma rua de Londres.

Seu assassino nunca foi pego.

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Moscou foi acusado de realizar um assassinato em solo britânico em 2006, quando um chá com polônio-210 altamente radioativo foi servido ao ex-espião russo Alexander Litvinenko, condenando-o a uma morte lenta.

Na Ásia, membros de um culto japonês sombrio lançaram sacos plásticos com sarin líquido, um agente nervoso, em vagões do metrô de Tóquio em 1995, matando mais de uma dúzia de pessoas.

Nove anos depois, o defensor indonésio dos direitos humanos Munir Said Thalib foi morto após ser envenenado em um voo de Jacarta para Amsterdã.

Se o chefe de espionagem de Seul estiver certo, a Coreia do Norte agora parece ter adicionado um novo capítulo à história arrepiante de envenenamentos.

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