A Diferença Entre Judaísmo e Sionismo

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Quando a Torá fala sobre a criação do primeiro ser humano, o comentarista judeu mais proeminente, Rashi, explica que a terra de onde foi formado Adão não foi tirada de um ponto, mas de várias partes do globo. Assim, a dignidade humana não depende do lugar de seu nascimento nem se limita a uma região.

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A grandeza e o mérito de uma pessoa não é medida por sua aparência exterior. Os judeus acreditam que Adão foi criado à imagem de Deus e que ele é o ancestral comum de toda a humanidade. Nesta fase da história humana, não há espaço para povos privilegiados que podem fazer o que quiserem com os outros.

A vida humana é sagrada e os direitos humanos não podem ser negados por aqueles que querem subvertê-los para a “segurança nacional” ou por qualquer outro motivo. Ninguém sabe disso melhor do que os judeus, que foram cidadãos de segunda classe tantas vezes e por tanto tempo. Alguns sionistas, entretanto, podem divergir. Isto é compreensível porque o judaísmo e o sionismo não são de modo algum a mesma coisa. Na verdade, eles são incompatíveis e inconciliáveis: Se alguém é um bom judeu, não pode ser um sionista, se for um sionista, não se pode ser um bom judeu.

Por mais de 60 anos lutei contra o sionismo, como fez meu pai antes de mim, e por isso estou bastante familiarizado com ele (o Sionismo). Para aqueles que estiveram nesta luta pelos últimos dez ou vinte anos, o que tenho a dizer pode parecer surpreendente ou mesmo chocante. No entanto, essas questões precisam ser discutidas clara e abertamente, porque a menos que a doença do sionismo seja diagnosticada com precisão, não poderá ser curada.

Aqueles que se opõem ao sionismo, têm por muito tempo se envolvido em devaneios e ilusão. Para saber o que é o Sionismo a pessoa tem que conhecer judaísmo, sionismo e história judaica. No tempo destinado a mim, eu não vou falar sobre as ações dos sionistas, elas serão adequadamente tratadas por outros. Como judeu, pretendo discutir o sionismo, que é a rebelião contra Deus e a traição do povo judeu.

Para começar, algumas definições: Quem é judeu? Um judeu é qualquer um que tenha uma mãe judia ou que se converteu ao judaísmo, de acordo com a Halachá, a lei religiosa judaica. Esta definição por si só, exclui o racismo. O judaísmo não procura converter ninguém, mas aqueles que se convertem são aceitos na base da igualdade. Vamos ver até onde isso vai.
Alguns dos rabinos mais eminentes e respeitados eram convertidos ao judaísmo. Os pais judeus em todo o mundo abençoam suas crianças todo sábado e vésperas de feriado, e eles têm feito da mesma forma há milênios. Se as crianças são do sexo feminino, a bênção é: “Que Deus o faça como Sara, Rebeca, Raquel e Léa”. Nenhuma dessas matriarcas eram judias de nascimento, todas eram convertidas ao judaísmo. Se os filhos são meninos, a bênção é: “Que Deus o faça como Efraim e Menashe”. A mãe desses dois era uma egípcia que se converteu ao judaísmo e se casou com Joseph.

O próprio Moisés, o maior judeu que já existiu, casou com uma mulher midianita que se tornou judia. Finalmente, o Tanach, os escritos sagrados dos judeus, contém o livro de Rute. Esta mulher não só não foi judia por nascimento, mas ela veio dos moabitas, tradicionais inimigos do povo judeu. Este livro descreve a conversão de Ruth ao judaísmo e é lido anualmente no feriado que comemora a entrega da Torá, a “Lei”, ou seja, o Pentateuco. Ao seu final, o livro de Ruth segue a ascendência do rei David, o maior rei que os judeus já tiveram, até Ruth, sua bisavó.

Afora os sionistas, os únicos que consideraram os judeus como uma raça foram os nazistas. E eles só serviram para provar a estupidez e irracionalidade do racismo. Não havia maneira de se provar se uma Müler ou uma sra. Meyer eram judias ou arianas (termo nazista para os alemães não-judeus). A única maneira de decidir se uma pessoa era judia era investigar a filiação religiosa dos pais ou avós. Tanta coisa para esse absurdo racial.

O orgulho racial foi a ruína daqueles judeus do passado que ficaram cegos por seu próprio ego. Isso nos leva a uma segunda definição: Existe um povo judeu? Se sim, qual é sua missão? Vamos esclarecer de uma vez por todas: a nação judaica não nasceu nem foi reconstituída há uma geração atrás por alguns políticos sionistas. A nação judaica nasceu no Monte Sinai, quando os judeus por sua resposta, “faremos e ouviremos”, recebeu a Torá dada a eles por Deus para todas as gerações futuras. “Hoje vocês se tornaram um povo”, embora seja válida até hoje, foi dita há milhares de anos.

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Segundo a tradição judaica, existem sete leis noéticas que se aplicam a todos os seres humanos. Depois, há os Dez Mandamentos que formam a regra básica de moralidade e conduta para os adeptos de todas as religiões monoteístas.

Além desses, existem 613 leis obrigatórias para os judeus, e cada judeu tem que observar aquilo que se aplica a ele ou ela de acordo com a Halachá. É a realização destas mitzvot, mandamentos, que constitui a essência de ser judeu e, portanto, do povo judeu e sua aliança com D’us.

De que forma os judeus são um “povo escolhido”? Todo judeu em qualquer lugar e em qualquer época quando chamado para a leitura da Torá diz: “Quem nos escolheu de todos os povos e nos concedeu Sua Torá”. Esta é a maneira na qual os judeus são escolhidos. O povo judeu foi escolhido não para dominar os outros, nem conquistar ou guerrear, mas pra servir a Deus e, portanto, para servir à humanidade. “E as mãos são as mãos de Esaú”, tradicionalmente tem sido interpretado como significando que, enquanto “a voz é de Jacó”, as mãos – simbolizando violência – são de Esaú .

Assim, a violência física não é uma tradição ou valor dos judeus. A tarefa para a qual o povo judeu foi escolhido não é estabelecer um exemplo de superioridade militar ou de conquistas técnicas e sim buscar a perfeição no comportamento moral e da pureza espiritual. De todos os crimes do sionismo político, o pior e mais básico, e que explica todos os seus delitos, é que desde o seu começo o sionismo busca separar o povo judeu de seu Deus, tornar nulo e vazio o pacto divino e substituir os elevados ideais do povo judeu por um estado “moderno” e de soberania fraudulenta.

Um meio de desencaminhar judeus e também os não-judeus é o mau uso sionista dos nomes e símbolos sagrados do judaísmo. Eles usam o santo nome de Israel para seu estado sionista. Eles nomearam seu fundo de aquisição de terra com um termo que tradicionalmente significa a recompensa pela piedade, boas ações e trabalho caritativo. Eles adotaram como um símbolo do estado a menorah (candelabro). Quanta hipocrisia, quanta perversão é o exército israelense lutar sob um emblema, cujo significado é explicado no Tanach (por ocasião de um retorno anterior à Terra Santa): “Não por força nem por violência, mas pelo meu espírito, diz o Senhor dos Exércitos”.

O infame fundador do sionismo político (que seu nome seja amaldiçoado), que só foi descobrir suas próprias origens judaicas por causa do anti-semitismo mostrado no julgamento do caso Dreyfus, na França, apresentou várias soluções para o que chamou de “problema judaico”. A certa altura ele propôs reassentar os judeus em Uganda.

De outra ele propôs convertê-los ao catolicismo. Finalmente ele teve a idéia de um Judenstaat, um estado exclusivamente judeu. Assim, nos seus primórdios, o sionismo foi a consequência do antissemitismo e, na verdade é totalmente compatível com ele, porque os sionistas e anti-semitas tinham (e têm) uma meta comum: trazer todos os judeus de seus lugares de origem para o estado sionista, extirpando as comunidades judaicas que existiam há centenas e até milhares de anos. A lealdade ao Estado sionista, substituiu a lealdade a D’us, e o estado transformou-se no “bezerro de ouro” moderno. A crença na Torá e o cumprimento das obrigações religiosas aos olhos sionistas tornaram-se um assunto privado e não um dever de cada judeu e do povo judeu. Os sionistas sujeitaram a lei divina ao partido ou votos parlamentares e estabeleceram seus próprios padrões de conduta e ética.

Nem o fundador do sionismo político nem qualquer dos primeiros-ministros do estado sionista acreditam na origem divina da Torá e nem mesmo na existência de D’us. Todos os primeiros-ministros foram membros de um partido que se opôs à religião em princípio e que considerava a Bíblia um documento do folclore antigo, destituído de qualquer significado religioso. E, no entanto, estes mesmos sionistas fundamentam suas alegações sobre a Terra Santa nesta mesma Bíblia, a origem divina de que eles negam.

Ao mesmo tempo, convenientemente esquecem a prece judaica “e por nossos pecados fomos exilados de nossa terra”, e ignoram o fato de que o exílio atual do povo judeu tem origem divina e que ao povo judeu não foi ordenado, nem permitido conquistar ou governar a Terra Santa antes da vinda do Messias. O povo judeu, é claro, reconhece os laços espirituais com aquela terra que eles chamam Eretz Yisrael. Toda manhã, tarde e noite eles mencionam isto e fazem referência a “Sião” e “Jerusalém”, em suas orações, e certamente um judeu não se senta para comer sem fazer o mesmo. Para o judeu, o verdadeiro solo da Terra Santa é diferente da de qualquer outro lugar neste mundo, e onde quer que ele esteja, ele volta seu rosto em direção a Jerusalém durante as preces. Viver na Terra Santa ou ser enterrado lá foi sempre considerado de elevado mérito.

Este amor à terra e o anseio judeu pelo retorno a ela e pela vinda do Messias foram explorados inúmeas vezes nos últimos 2000 anos. O Sionismo teve muitos precursores e cada um tem sido uma maldição para os judeus. Indivíduos que se proclamam o Messias e movimentos messiânicos, se espalharam ao longo do tempo desde a época romana até a Idade Média, até os sionistas modernos.

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Muitos desses pseudo-Messias apresentaram-se como rabinos ou líderes nacionais, embora alguns deles eventualmente professassem outras crenças; muitos temporariamente – alguns por períodos mais longos – conseguiram desviar judeus, rabinos e comunidades judaicas inteiras. Todos foram oportunamente expostos e reconhecidos como fraudes e aqueles que tinham a sua esperança nessas pessoas encontraram apenas o desapontamento e muitas vezes o desastre.

Nos estágios iniciais do desenvolvimento do sionismo moderno, foi criado o Mizrachi, uma organização dos chamados sionistas religiosos, que tentou combinar a fé com o sionismo político. Isso levou a um conflito constante entre os ditames da lei divina e as exigências do nacionalismo judaico. Na maioria das vezes, o Mizrachi foi voto vencido nos congressos sionistas e serviu apenas para dar ao movimento sionista uma falsa aura religiosa.

Sempre que aparece uma oportunidade para eles, esses sionistas “religiosos”, companheiros de viagem dos sionistas, têm sido usados pelo governo sionista para conciliar as reivindicações nacionais com a autoridade “religiosa”. O Partido Religioso Nacional no estado sionista foi bem recompensado por dar o seu selo de aprovação a medidas e decretos nacionalistas, se essas recompensas fossem de natureza financeira ou sob a forma de gabinete ou cargos do governo. O chauvinismo desses sionistas religiosos frequentemente ultrapassa o de outros sionistas e sempre foi expresso em termos religiosos – um exemplo do abuso da religião. A impostura desses sionistas “religiosos” foi demonstrada, quando foi revelado que dois de seus líderes tinham cometido roubos da ordem de milhões de dólares.

Uma organização judaica mundial foi fundada em 1912 na fronteira germano-polonesa, com o fim específico de lutar contra o sionismo. Esta organização, Agudath Israel, “União de Israel”, foi para representar o verdadeiro povo judeu no mundo e para desmascarar as injustas e injustificadas alegações sionistas. Rabinos em todos os lugares se juntaram ao Agudath Israel, assim como milhares de judeus.

Congressos anti-sionistas foram realizados em Viena e em Marienbad. Em países como a Polónia, “agudistas” eram membros do parlamento. Sob a liderança de Agudah há mais de 50 anos, os judeus na Terra Santa contrários ao sionismo, obtiveram permissão da Grã-Bretanha, a potência mandatária na Palestina, para declarar por escrito que não desejavam ser representados pelos sionistas ou por qualquer de seus grupos, em especial. Particularmente, nem pelas organizações sionistas quase-governamentais como o Va’ad Leumi, “Conselho Nacional”.

Pouco tempo depois, Jacob de Haan, um ex-diplomata holandês, então líder da Agudath Israel na Palestina, iniciou conversações com líderes árabes, com vista a uma eventual criação de um estado no qual judeus e árabes teriam direitos iguais. Desta forma, ele esperava antecipar-se a criação de um estado sionista. Apesar das ameaças à sua vida, de Haan, plenamente consciente dos perigos de um estado sionista, continuou suas conversas e negociações.

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Na véspera de sua partida em 1924 para a Inglaterra para se encontrar com autoridades locais, ele foi assassinado pela Haganah, uma força paramilitar sionista, no centro de Jerusalém, quando chegava para as preces da noite. Mais de meio século atrás, este judeu devoto e visionário deu sua vida em uma luta que ele considerava suprema, numa época em que o mundo todo estava cego e surdo aos problemas e dificuldades que um futuro estado sionista poderiam acarretar.

Como conseqüência desse terrorismo e a crescente pressão sionista, o Agudath gradualmente começou a se enfraquecer e se comprometer. Durante o período nazista, ele entrou em acordo com os sionistas, apesar do fato de que sua meta principal tivesse sido o combate ao sionismo. Depois que o estado sionista foi criado, Agudath Israel rompeu com seu passado, participou do governo sionista a nível de gabinete e “agudistas” foram eleitos para o parlamento sionista. Ainda professando um anti-sionismo nominal, o Agudath estabeleceu uma rede de escolas “independentes” na Terra Santa, mas atualmente uma parte substancial do orçamento dessas escolas vem do governo sionista.

Em vista desses acontecimentos, aqueles judeus que queriam continuar a luta contra o sionismo deixaram o Agudath Israel e se constituíram no Neturei Karta, uma frase aramaica que significa “Guardiões da Cidade”, ou seja, a cidade de Jerusalém. O Neturei Karta, por sua vez, tornou-se um movimento mundial, conhecido em alguns lugares como “Amigos de Jerusalém”.

A maior liderança do Neturei Karta foi o rabino Amram Blau, um líder inspirado e dedicado, cuja compaixão iguala-se a sua coragem. Ele não poderia ficar calado diante da injustiça, imoralidade ou hipocrisia. Ele foi amado pelos judeus e respeitado por cristãos e muçulmanos. Nascido em Jerusalém, jamais deixou a Terra Santa durante toda sua vida. Em seus escritos, enfatizou muitas vezes que judeus e árabes tinham vivido em harmonia até o advento do sionismo político. Rabino Blau foi preso em Jerusalém, não pelas autoridades otomanas, não pelos britânicos, e não pelos árabes, mas pelos sionistas. Qual foi seu crime?

Ele defendia com ardor e honestidade, sem olhar para sua própria segurança, o caráter sagrado de Jerusalém contra as “inovações” e invasões dos sionistas. Ele lutou pela santidade do Shabat e se opôs vivamente à indecência e imoralidade praticadas no regime sionista. Incessantemente denunciou a criação de um estado judeu antes da vinda do Messias como um ato de infâmia e blasfêmia. Sob sua liderança, o Neturei Karta declarou, ano após ano, que não reconheciam a legitimidade do estado sionista ou a validade de suas leis.

Durante o primeiro período da luta entre o estado sionista e os árabes, os rabinos do Neturei Karta foram para a frente de combate, carregando uma bandeira branca e declararam que não queriam tomar parte naquela guerra e que eram absolutamente contra a criação de um estado sionista. Em sua última proclamação, rabino Blau deplorou as ações dos sionistas contra os palestinos muçulmanos e cristãos e os graves danos praticados pelos sionistas contra o povo judeu, na tentativa de mudá-los de “um reino de sacerdotes e uma nação santa” para um Estado moderno, desprovido de fundamento espiritual, baseado no chauvinismo, construído através da conquista, e confiando na capacidade militar. “O número de suas cidades constitui seus deuses”, o profeta Jeremias teria falado para o governo judeu chauvinista e idólatra dos dias atuais.

Os sionistas agora estão criando um novo status quo e expandindo suas posições ao criarem novos assentamentos nos territórios ocupados desde 1967.

Rabino Blau, em sua última declaração condenou vigorosamente a ONU por reconhecer e aceitar como membro o estado sionista, concedendo aos sionistas o prestígio e força sem precedentes. É tempo de as nações anti-sionistas ouvi-lo, prestar atenção ao seu fundamento, e desfazer este grande mal, corrigindo esse erro fatal. É sabido que nenhuma ação foi tomada para expulsar o estado sionista das Nações Unidas, por causa do medo de que o apoio financeiro para a ONU fosse retirado. Deixem que os estados contrários ao sionismo, que tornaram-se ricos na geração passada, ofereçam repor qualquer perda financeira que a ONU possa sofrer como conseqüência, e deixe que os estados membros votem sem medo, independente de qualquer intimidação.

Houve épocas na história judaica, conforme relatado na Bíblia, quando as massas foram desviadas e somente uma minoria de judeus abraçou a verdadeira missão do povo judeu.Uma dessas primeiras ocasiões foi a adoração ao bezerro de ouro. Hoje, infelizmente, assistimos à repetição disto, com o estado sionista agora sendo objeto de adoração. Até o surgimento e crescente influência do sionismo político, os líderes judeus eram escolhidos com base na sua piedade, decência, conhecimento e seu amor à justiça e misericórdia.

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Hoje, com demasiada freqüência, os chamados líderes judeus, completamente desqualificados em relação à lei judaica e aos conceitos tradicionais, fazem pronunciamentos e tomam decisões em nome do povo judeu. Isto é particularmente verdadeiro nos EUA, onde existe a maior comunidade judaica no nosso tempo. Nunca poderei esquecer a observação de uma mulher em Oklahoma: “Não é maravilhoso o Judaísmo de hoje? Tudo que você tem que fazer é dar dinheiro!”.

Até sua morte, rabino Blau refutou os sionistas que muitas vezes afirmaram que o Neturei Karta nada mais era que uma seita insignificante de umas poucas almas. No entanto, quando o rabino Blau morreu em Jerusalém, em uma manhã de sexta-feira, poucas horas depois, nada menos do que 22.000 homens acorreram ao seu funeral.

Em todos os momentos no passado, os falsos judeus, cedo ou tarde ficaram pelo caminho, e somente aqueles que defenderam a validade da Torá e do Talmud (a lei escrita e oral) e da Halachá, e que resistiram à demagogos, prevaleceram. O Neturei Karta seguiu esta tradição. Eles continuam a reprovar o sionismo e a falar em nosso tempo para o verdadeiro povo judeu, aqueles que não foram desviados pelo sionismo.

Durante a conquista romana da Terra Santa, havia judeus que, com base no nacionalismo e no orgulho racial, estavam certos de que não poderia perder uma guerra. Eles, como os sionistas de nossos dias, se opuseram a qualquer acordo ou transação, e estavam determinados a lutar até o fim. Naquela época, porém quase 2.000 anos atrás, Rabi Yochanan ben Sakkai, escolheu um caminho diferente. Os aventureiros militares impediram-no de deixar Jerusalém sitiada para negociar com os romanos, assim o próprio rabino foi carregado em um caixão por seus discípulos até os quartéis romanos. Ele disse aos romanos que os judeus não necessitavam de exército ou armas e pediu permissão para criar uma yeshiva, uma escola religiosa judaica, em Yavneh. Foi esta escola religiosa, e não os militares ou generais daquele tempo, que ajudou a perpetuar o judaísmo e a identidade do povo judeu.

Deve ser declarado explicitamente que, embora nem todos os judeus sejam sionistas, nem todos os sionistas são judeus. Os motivos de alguns desses não-judeus serem sionistas (por exemplo, Lord Balfour e o General Smuts), é uma questão em aberto. Desde o início do movimento sionista, alguns dos mais articulados e ardorosos sionistas foram pastores cristãos, principalmente os “fundamentalistas”, que saudaram o sionismo como um importante movimento “religioso” e o receberam como o cumprimento da profecia. Eles também servem à causa do sionismo.

Um dos objetivos básicos do sionismo é aliyah, a imigração para o estado sionista de judeus de todos os países. No entanto, durante os últimos anos algumas centenas de milhares de israelenses têm escolhido manterem-se afastados do paraíso sionista e os judeus americanos escolheram não imigrarem pra lá. Esses judeus reconhecem que o estado sionista nada mais é do que um imenso gueto.

Em vez de ser capaz de prestar assistência às comunidades judaicas de outros países, os judeus americanos foram mobilizados para se concentrar na ajuda ao estado sionista, tornando os EUA a fonte real e importante do poder sionista e influência. Os sionistas, fiéis à natureza de seu movimento, contam com superioridade técnica e poder militar – fornecidos em grande parte pelos EUA – para sua segurança.

Nada poderia estar mais distante dos verdadeiros ideais do povo judeu. O povo judeu foi escolhido em primeiro lugar para ser “luz para as nações”. Conforme dizem os Salmos, “eles contam com veículos e cavalos, mas nós invocamos o nome do Eterno, nosso Deus.”

Um ponto mais importante merece menção. Um ex-presidente da Organização Sionista Mundial declarou explicitamente que um sionista deve lealdade inapelável ao estado sionista e que, no caso de um conflito, a primeira lealdade de um sionista deve ser para o estado sionista. De acordo com a lei judaica, no entanto, um judeu deve obediência e lealdade ao país do qual ele é um cidadão, e, claro, nenhum judeu fiel deve lealdade ou qualquer aliança com o estado sionista que tenha sido condenado pelos rabinos mais importante de nossa era.

Não é meu propósito detalhar como o sionismo deve ser tratado. Deixe-me dizer, no entanto, que atos isolados ou espontâneos contra indivíduos ou a simples adoção de resoluções da ONU ou quaisquer outras não são meios efetivos para pôr um fim ao sionismo. Deixe-me dizer também que a batalha contra o sionismo precisa ser feita primeiro, não no litoral do Mediterrâneo, mas nos EUA, os maiores defensores do Sionismo.

Como cidadão americano, deploro que nosso governo e nossos políticos tenham adotado uma atitude que está em total contradição com o conselho do pai de nosso país, George Washington. Em vez de se esquivar dos conflitos externos e alianças permanentes com potências estrangeiras, o governo de Washington abraçou o sionismo tão sinceramente que, qualquer crítica ao estado sionista e qualquer oposição ao sionismo político na ONU por qualquer nação, se tornou um crime punível . E a dócil mídia americana não ousa falar contra tal absurdo.

Infelizmente, até agora, cada ano que passa os sionistas americanos ganham ainda mais influência. É preciso muita coragem para se opor ao sionismo nos EUA hoje. Também foi necessária muita coragem durante a Segunda Guerra Mundial, para ser anti-fascista na Itália, ou anti-nazista na Alemanha. O sionismo nada mais é do que uma aberração na longa história do povo judeu e do mundo.

Vamos ter fé e esperança na certeza de que finalmente o preconceito, o ódio e a injustiça desaparecerão e que a profecia se tornará realidade que todas as nações do mundo participarão da peregrinação a Jerusalém “pois minha casa será chamada casa de oração para todas as nações”.

Por G. Neuburger

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