Liberte-se da Sociedade

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“…a terceira coisa que o monge diz é para lembrar de não ser enganado pelos outros. Os outros o estão enganando continuamente. Não apenas você está se enganando, os outros também estão enganando você. Como os outros o estão enganando? Toda a sociedade, a cultura, a civilização, é uma conspiração coletiva. É por essa razão que nenhuma sociedade permite pessoas rebeldes; toda sociedade requer obediência, conformidade. Nenhuma sociedade permite pensamentos rebeldes. Por que? Pensamentos rebeldes fazem as pessoas conscientes de que a coisa toda é só um jogo, e quando as pessoas ficam cientes de que a coisa toda é um jogo, elas tornam-se perigosas, elas começam a ir além da sociedade.

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A sociedade existe como um estado hipnótico e a multidão é um fator hipnotizante. Você nasce, mas quando você nasce, você não é um nem um hindu nem um cristão, porque a consciência não pode pertencer a nenhuma seita. A consciência pertence ao todo, não pode ser sectária. Uma criança simplesmente é, inocente de todo este absurdo de hindus, budistas, cristãos… Uma criança é um puro espelho. Mas imediatamente a sociedade começa a trabalhar na criança – um molde lhe deve ser dado. Uma criança nasce com liberdade, mas imediatamente a sociedade começa a matar sua liberdade. Tem de se lhe dar um molde, um padrão.

Se você nasce numa família hindu, seus pais começarão a lhe ensinar que você é um hindu. Ora, eles estão criando um estado hipnótico. Ninguém é um hindu – mas essa criança é inocente, ele pode ser enganada. Essa criança é simples. Ela acreditará nos pais, que ela é um hindu – não apenas um hindu, mas um brahmin; não apenas um brahmin, mas um brahmin deshatha.

Seitas dentro de seitas, exatamente como caixas chinesas – caixas dentro de caixas. E quanto mais a criança vai sendo estreitada, mas ela vai se tornando um prisioneiro. A caixa vai ficando cada vez menor. A criança era como um céu, quando ela nasceu. Então ela se tornou um hindu – uma caixa menor; então se tornou um brahmin – uma caixa um pouco menor; então se tornou um deshastha – uma caixa ainda menor.

E a coisa prossegue sem parar. A sociedade vai forçando-a em caixas cada vez menores e, então, ela terá de viver como um brahmin deshatha. A vida inteira, ela estará nessa caixa. Ela carregará esta caixa ao seu redor. Essa caixa é uma sepultura. Ela tem de sair dessas caixas; só então ela saberá o que é a consciência verdadeira.

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E a sociedade fornece conceitos; e a sociedade fornece preconceitos e sistemas e religiões. E, assim, ela nunca será capaz de olhar diretamente – a sociedade estará sempre lá para interpretar. Você não está consciente quando diz que algo é bom. Você está realmente ali, olhando? Esse é seu sentimento, que aquilo é bom, ou é apenas uma interpretação da sociedade? Algo é ruim: você realmente examinou a coisa e chegou à conclusão de que aquilo é ruim, ou simplesmente a sociedade lhe ensinou que aquilo é ruim?

Observe! Um hindu olhando para o estrume de vaca acha que aquilo é a coisa mais pura possível deste mundo. Ninguém mais no mundo verá o estrume de vaca como a coisa mais pura do mundo – estrume de vaca é esterco, excremento – mas um hindu vê o estrume de vaca como a coisa mais pura do mundo. Ele o comerá com alegria. Ele come mesmo! Ninguém no mundo pode acreditar como os hindus podem ser feitos de bobo desse jeito, mas eles o são. Quando um hindu é iniciado, lhe dão panchamrita – uma combinação especial de cinco elementos. Desses cinco elementos, o estrume de vaca é um, a urina de vaca é outro. É difícil – ninguém pode acreditar que isso é certo. Mas eles tem seus preconceitos próprios. Ponha seus preconceitos no chão e olhe diretamente para as coisas.

Mas nenhuma sociedade lhe permite olhar diretamente. Ela sempre entra no meio e interpreta – e você é enganado por ela.

Aquele monge, de manhãzinha, costumava dizer: “Não seja enganado pelos outros”. E ele responderia: “Sim, sim senhor, eu não serei enganado pelos outros.”
Isso tem de ser constantemente lembrado, porque os outros estão em toda a sua volta e estão lhe enganando de maneiras muito sutis. E, agora, os outros têm mais poder do que nunca. Através da propaganda, através do rádio, através dos jornais, através da televisão, os outros o estão manipulando.

Nos Estados Unidos, todo o mercado depende de como se pode enganar o cliente, de como se pode criar uma determinada ideia nas mentes dos outros. Agora, uma garagem para dois carros é um “must”, se você quer ser feliz. Ninguém pergunta o por quê. Se você não está feliz com um carro, como você pode ficar feliz com dois carros? Se há cinquenta por cento de felicidade com um carro, como você pode ficar feliz com dois carros? Com um carro você está infeliz; com dois carros você estará duplamente infeliz, isso é tudo.

É uma matemática simples! Mas existe a publicidade, a propaganda. A sociedade inteira existe através da manipulação dos outros…”

Osho

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