Tomás de Torquemada: “O Grande Inquisidor”

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Em uma época em que o poder religioso confundia-se com o poder real, o Papa Gregório IX, em 20 de abril de 1233 editou duas bulas que marcam o início da Inquisição, instituição da Igreja Católica que perseguiu, torturou e matou na fogueira milhares de seus “inimigos”, ou quem ela entendesse como inimigo, acusando-os de hereges, por vários séculos. Um dos mais temíveis representantes da Inquisição foi Tomás de Torquemada, figura maldita que serviu de modelo para Sade criar seus personagens degenerados.

torquemada-01Parece um caso típico de criatura que superou o criador, neste caso, em crueldade. Padre católico, de vida sexual mal resolvida, – tinha amantes de ambos os sexos e era chegado a uma perversão, inclusive com animais, cadáveres e crianças – nascido em Valladolid, Espanha, principal organizador da Inquisição espanhola. De origem judaica e sobrinho do cardeal Juan de Torquemada. Nomeado como inquisidor e prestigiado pela rainha Isabel de Castela, este clérigo psicopata promoveu uma feroz caçada contra bígamos, deficientes físicos, agiotas, judeus, mouros, “bruxas”, homossexuais e cegos.

Movido por um ódio inexplicável a tudo que não fossem os cânones da doutrina, espalhou terror por toda Espanha, mandou para a fogueira mais pessoas que qualquer um dos demais inquisidores. Instalado em Ávila onde ficou até sua morte, promulgou (1484) os 28 artigos que orientavam os inquisidores no julgamento de crimes contra a ortodoxia da igreja, autorizou a tortura para obter evidências caso o acusado se recusasse a confessar, baseado no princípio que o denunciado era culpado a priori. Célebre pelo fanatismo religioso e desumanidade, seu nome tornou-se símbolo da temível instituição e que chegou até a ofuscar o poder real.

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A sua ferrenha atuação acabou fazendo com que sua fama percorresse os quatro cantos da Espanha e inquietou o próprio Vaticano, este preocupado não com a maldade do inquisidor, mas sim que sua fama lhe concedesse poder que viesse a rivalizar com o poder Papal, uma espécie de anticristo espúrio.

Geralmente baseado em denúncias sem qualquer fundamento, oriundas de desafetos ou inimigos pessoais, os investigados eram presos e submetidos a interrogatório nos calabouços da Inquisição. Nos processos da inquisição a denúncia era prova de culpabilidade, cabendo ao acusado provar sua inocência. O acusado era mantido isolado; ninguém, a não serem os agentes da Inquisição, tinha permissão de falar com ele; nenhum parente podia visitá-lo. Geralmente ficava acorrentado.
0065-santa-inquisicaoEnquanto os açoitamentos e torturas eram deflagrados, principalmente em crianças acusadas de bruxaria, Torquemada passava o tempo sussurrando as suas preces e se masturbando, ato sexual que lhe dava prazer, porquanto era tido como molestador de crianças e sádico. Não afastada a hipótese que tinha orgasmos múltiplos. Segundo alguns documentos, os interrogados tinham as unhas arrancadas, a pele marcada com ferro em brasa, os dedos e olhos perfurados, articulações esmagadas, às vezes eram eviscerados vivos.

Mulheres acusadas de bruxaria eram despidas e vasculhadas em todos os orifícios para que fossem encontradas marcas de símbolos diabólicos. Os acusados eram submetidos a instrumentos especialmente concebidos para fins de tortura a mais cruel como garrote, máscara da infâmia, esmaga joelhos, pêndulo, mesa de evisceração e outros que hoje são encontrados em museus da Espanha e de outros países europeus.
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Ao longo de uma vida toda dedicada a esse tipo de atividade, Torquemada acabou sendo visto com certa desconfiança pelos dirigentes religiosos da época. Segundo estimativas, através de seus métodos de investigação, cerca de 8 mil pessoas teriam sido condenadas à fogueira e milhares de outras tiveram seus bens saqueados e foram banidas para sempre. Após ignorar os pedidos de moderação da Igreja, foi afastado de suas funções em 1490.

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Quatro anos depois acabou morrendo na clausura de um convento na região de Ávila. Consta que, em seus últimos dias, vagando pelos corredores do monastério como uma alma impenitente, era acometido de delírios onde evocava os nomes de suas vítimas enquanto se masturbava. Se esse degenerado vivesse nos dias de hoje forçosamente seria classificado como serial killer que, por injunções históricas e religiosas, teve nas mãos meios legais e facilidades para dar vazão a seus instintos bestiais; poderia, também, ser comparado a Heinrich Himmler da Alemanha nazista, com o agravante de ter sido pedófilo com grau de perversidade jamais registrado na história.

O personagem Jacques, “A besta Humana” de Émile Zola, não passa de uma criança da pré escola que roubou o pirulito de outra, frente a esse monstro inominável. Mas, ainda assim, existem fundamentalistas católicos que desejam sua canonização, consideram-no um santo que depurou a igreja de seus detratores e blasfemos.

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