Fahrenheit 9/11 (Legendado)

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O texto abaixo foi escrito em 15 de setembro de 2004. Portanto, de algum modo ele é datado, pois fala de algumas situações que são passageiras, como por exemplo do governo Bush e da Guerra do Iraque que já acabaram. No entanto, o tema ainda é muito presente e nos leva a reflexões bastantes profundas sobre liberdades, democracias, fundamentalismos religiosos, tolerância com as alteridades, geopolítica etc. O episódio do ataque e destruição das torres gêmeas do World Trade Center inaugura um tempo novo na contemporaneidade. Esses novos desafios temáticos e o poder de acesso que o público tem, graças às tecnologias como a da internet, possibilitarão um debate cada vez mais abrangente e rico. No que vai dar isso? Quem viver, verá!

911
Assistir ao filme Fahrenheit 9/11, vencedor da Palma de Ouro, em Cannes, como melhor filme de 2004 é fundamental, mas, sobretudo, escrever, ler e discuti-lo é importante e necessário, visto a gravidade do assunto do qual se trata. O filme de Michael Moore é um documentário que tem nas suas imagens o seu ponto forte. O filme é objetivo e seu autor deixa claro o seu intuito principal: o desmascaro do Presidente americano George W. Bush e de sua base. O cineasta acompanha a trajetória de Bush, desde sua controversa eleição em 2000, passando pela tragédia das “torres gêmeas”, pela invasão e guerra no Afeganistão e, finalmente, a guerra no Iraque, que ainda não se sabe o desfecho que terá.

Michael Moore é, antes de tudo, um obstinado, um ativista que tem como missão principal no momento tirar o Presidente Bush do poder. Moore é um crítico ferrenho das políticas conservadoras de Bush eWT seu partido republicano. Popular em seu país por seus livros polêmicos e bem vendidos; por seu documentário anterior, Tiros em Columbine, vencedor do Oscar de 2003, e, agora no mundo todo, por seu grande sucesso de extraordinária bilheteria, sabe que, apesar disso, é muito criticado pelos quais antagoniza e também pela chamada “esquerda intelectual americana” que não gosta de seu “humor bobo”. No entanto, não se aborrece com isso e diz que o que importa mesmo é ser ouvido e visto por um maior número possível de pessoas.

De fato, o cineasta utiliza-se de vários recursos cinematográficos na realização de seu trabalho. Seu filme tem uma grande dose de ironia (às vezes com um certo humor), quando mostra o presidente se divertindo, durante os seus 42% de férias de seus primeiros oito meses de gestão; é duro com seus desafetos quando, por exemplo, propõe à alguns dos senadores que alistem seus filhos nas forças armadas para servirem à pátria, no Iraque; é forte nas imagens nas quais mostra a dor das famílias enlutadas e, principalmente, nas cenas da guerra.

Fahrenheit 9/11 denuncia uma vontade implicitamente “totalitária” do governo Bush. Implicitamente porque este não se admite assim; totalitária porque toma decisões arbitrárias a despeito das convenções internacionais e também porque força uma ideologia do medo: Ataquemos primeiro, pois seremos atacados, com certeza. A ideologia da guerra contra o terror que faz com que os próprios americanos vivam sob o domínio do medo paranóico, além do medo real do terror, num estado de alerta constante.

Um dado curioso do filme é a questão das fontes de informações. Como Michael Moore consegue acesso a tantos documentos confidenciais e a tantas provas? Como consegue estar tão próximo de tudo e de todos em tantos lugares diferentes? Seja como for, seu esforço é realmente enorme e admirável. As ligações empresariais entre americanos e árabes, como as das famílias Bush e Bin Laden, são desconcertantes. Os negócios feitos e os pretendidos nas regiões de conflito, principalmente depois do incidente do World Trade Center, são colocados em cheque como justificativas reais, não declaradas, para as guerras.

Moore presta um serviço muito importante como uma voz que se levanta para denunciar os desmandos do “império americano” e nos alerta para esta realidade nova e séria, que diz respeito a todos nós que vivemos neste planeta. Ele vai direto ao assunto. Não teme retaliações e enfrenta seus desafetos atingindo-os em seus pontos fracos. Não se utiliza de meias palavras, nem de subjetividade.

O horror produzido pela guerra, onde civis inocentes e indefesos, assim como soldados que não pediram para matar ou morrer, é algo de difícil descrição. Entre muitas coisas que o filme mostra, o mais importante é promover em quem assiste, o entendimento do quanto a guerra é estúpida. O filme nos leva a refletir sobre o grande mal da guerra e da necessidade de acabar de vez com ela. O Problema é que Bush a adora.

Espero que esse filme / documentário ajude a esclarecer um pouco mais de como funciona a política, externa e interna, dos EUA e de seus aliados. Mesmo se já assistiu, vale a pena rever, tenho certeza que terá outra percepção! Bom proveito! 

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